terça-feira, 14 de abril de 2009


"Sinceramente.. A vida não tem propósito! Ela é sempre inacabada pela arbitrariedade. Eu faço isso hoje e não faz a mínima diferença se faço o contrário. A sempre uma mudança para tudo, sempre uma solução no fim do tunel.Com isso somos os cínicos no nosso tempo.Porque sempre deixamos para mudar depois ou nos contentamos.
Mas no teatro todas as ações tem suas consequências no exato momento em que são feitas.Por isso não há solução.Não dá pra "mudar depois". O que foi feito foi!E não pode ser modificado.Nada é suficiente para nos contentarmos.Amanhã deve obrigatoriamente ser melhor que hoje. Nada é rotineiro, nem mesmo a monotonia.
O teatro é sem dúvida a minha cura e ao mesmo tempo minha droga.
Não me livro do vício dessa droga.E a minha doença já está tão avançada que meu tratamento precisa ser de mais alta qualidade!"

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Cafetina das palavras


" Sou uma gigolô das palavras.Vivo às suas custas.E tenho com elas a exemplar conduta de uma cafetina profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão.Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro.Maltrato-as, sem dúvida.E jamais me deixo dominar por elas.Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que os outros ja fizeram com elas.As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa!Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas.
Acabaria impotente, incapaz de uma conjução.A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda. "